BlogContextoJovens e religião: como a escola entra nessa relação?

Jovens e religião: como a escola entra nessa relação?

* Por: Nathalia Di Oliveira

Formamos opinião sobre política, educação, esporte, costumes e culturas. Mas e a religião? Falar sobre fé e escolha religiosa é algo complexo e que gera discussão. Quando falamos com os jovens sobre o assunto, quase sempre os ideais vindos da família estão enraizados. A maioria deles tem a religião apresentada na infância pelos pais. Sem nem saber o significado das palavras, muitas crianças já são batizadas e nomeadas de acordo com a religião da família.

E o que isso tem a ver com as escolas? Ensinar as crianças e os adolescentes de hoje sobre a importância do respeito e do conhecimento sobre algo novo pode ajudar na diminuição da intolerância religiosa, situação que ainda acomete fortemente o Brasil. Engajá-los sobre o tema não é impor uma crença, mas sim, promover a reflexão sobre a sua escolha e sobre a escolha do outro.

O jovem está em processo de construção da própria identidade, em um momento de experimentação das coisas, em busca de autoconhecimento. Ele analisa suas influências e se identifica com áreas de estudo, como humanas e exatas, para a escolha da profissão, por exemplo. Dessa forma, o jovem também pode fazer esse mesmo tipo de análise do contexto externo e interno para que tome sua decisão sobre a fé, assim como mostra o livro O Caminho que Escolhi: Por que o jovem decide seguir ou não uma religião? ’.

Falar sobre religião nunca foi tão necessário. Os jovens querem conversar sobre o assunto, pois eles sentem a necessidade de mostrar o seu ponto de vista para serem compreendidos, seja como católico, evangélico, muçulmano ou ateu. Abrir espaço para rodas de conversa em que os estudantes possam falar sobre sua escolha, entender o posicionamento do próximo, desenvolvendo a empatia e ampliando a visão cultural, pode gerar discussões respeitosas e que agreguem à vida de todos, formando seres humanos mais preparados para a complexidade do mundo e que respeitam uns aos outros no que tange às diversas questões da sociedade.

Os estudantes devem ser estimulados a debaterem sobre religião da mesma forma que discutem política e outros conteúdos aprendidos em sala de aula. Eles devem conhecer outras culturas, outros costumes, questionar, refletir e entender, mesmo que não concordem. Com esse tipo de incentivo, não interferimos na laicidade do estado e ainda promovemos o combate à intolerância religiosa, pois a falta de informação é o que gera o preconceito.

Pensando nisso, o material do Sistema de Ensino pH apresenta algumas informações sobre diferentes religiões, trazendo uma nova visão sobre o tema. Dados sobre judaísmo, protestantismo, novas correntes dentro do cristianismo, religiões afro-brasileiras, e outros conceitos pouco vistos e cercados de desconhecimento passam a ser desmistificados de uma forma em que o assunto seja visto nas escolas em sua diversidade como um campo de estudo e não como uma imposição ideológica.

O Caminho que Escolhi: Por que o jovem decide seguir ou não uma religião?

A obra, cujo objetivo é o combate à intolerância religiosa e o protagonismo do jovem no debate sobre o tema, reúne histórias de 23 pessoas, com idade entre 15 e 25 anos, mostrando o processo da escolha religiosa de cada um. São sete religiões abordadas: catolicismo, protestantismo, espiritismo, umbanda, candomblé, judaísmo e islamismo, além de filosofias como ateísmo e agnosticismo. O livro também traz especialistas no assunto como líderes religiosos falando sobre o conceito e as histórias das religiões, psicólogos para explicar a parte comportamental do jovem no processo de formação da identidade e tomada de decisão, além de teólogo e filósofo.

O livro digital está disponível para download gratuitamente no link.

* Nathalia Di Oliveira é jornalista, assessora de imprensa do Sistema de Ensino pH e autora do livro ‘O Caminho que Escolhi: Por que o jovem decide seguir ou não uma religião?’